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Conectado

Encarei teus olhos
Teu sorriso, tua expressão
Mas não ouço uma só batida
Do teu coração
O tempo é mesmo soberano
Tinge o passado
Num embaçado tom marrom
Numa página de internet
Inerte sorriso construído
Já teve um significado
Já representou o mundo inteiro
Mas rasteiro o sentimento
Foi sumindo... sumindo.
Hoje não me ferem os olhos
O brilho do teu olhar
Congelado em pixels
Decorando tópicos
Com frases lindas
Frases antes sussurradas
Em minha direção
Agora frases forasteiras
Essa conexão (in)segura
Tornou-se a única
Maneira me conectar ao passado
Sem que me falte firmeza
Nas pernas.
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Vai passar

Vai passar...
Passar o quê?
Passar o tempo
Enquanto passa a vida?
E enquanto não passa?
E enquanto se passa
O que eu faço com o tempo
O que eu faço
Com o momento que o tempo
Resolveu não passar?
Engasgado tão quanto o conselho
Está o problema
E o poema
Completamente sem ar
Mas vai...
Vai o que?
Vai passar!
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Tempo que não se tem

Há tempos
Tanto tempo não se tem
Tem tanto pranto
No tempo
Tem trampo, tem barranco,
Tem espanto
Com o tempo
Que não se tem
Tem canto brando
De bandoleiros vestindo branco
Brumada voz ecoando
No vento, nada isento, do tempo
Do tempo que não se tem
A voz voando viva
Já sem tempo de viver falando
Quando acorda na matina
Despertando vem o tempo
Gritando
O tempo que não se tem
Voa viva a voz veloz
Nada aveludada que vem
Do tempo...
Que tempo?
Do tempo que não se tem.
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Grita o tempo

Quem dá bom dia
É o tempo
Grita que é hora
Passa-me a agenda
Acho que por telepatia
Goela abaixo me enfia
Inversamente à energia
Mais trabalho, tarefa, labor
Cada vez afogado em menos tempo
Numa aguda dor de juízo
Vencer as horas de exercício,
A faculdade, o inglês, o espanhol
O próprio português
A aula de violão,
A aparência,
A paciência, o barulho,
O silêncio,
O ar, a falta dele, a explosão
O tédio, o vazio e o coração
Suportar a companhia
E ausência de uma
Suportar o dia, a tarde, a noite
Sem respirar a vida
Sem olhar à janela
A paisagem que a natureza pintou
Amanhã pela manhã, eu juro:
Parto o tempo ao meio
Parto o tempo ao meio dia
Parto tempo em tempo
O tempo que me espere
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5.1 ultrapassada


Revejo as fotografias desfocadas
E os vídeos sorridentes
De uma 5.1
Hoje ultrapassada

Em resoluções fracas
E tracejadas
Pixel a pixel o passado
Mostra-se presente

Ausente,
Só Aquele marejado par de olhos
Que brilhava enquanto fitava
Junto aos meus
Cada arquivo posto à vista

Não tem mais tanta graça
Cultivar tralhas passadas

Não tem mais espaço
Posto que Aquele laço real
Se desfez por completo

É apenas mais um encaixotado
A contar histórias
Que a própria memória
Não consegue processar.
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Mais um escrito destinado ao tempo ou a falta dele

Na melhor das hipóteses pirei
Deixei o tempo passar olhando nuvens
Que se desfizeram na primeira oportunidade
Saudade do ultimo desenho
Numa tentativa de imitar posturas de ioga cai
E machuquei o joelho
Sangrou e eu nem parei pra limpar
Apenas deixei sangrar e sangrou
Até que parou...
Dizem que o tempo é o melhor remédio
para algumas enfermidades. Será?
Meu professor de ioga disse que não posso ser coelho
Tenho que imitar em câmera lenta as tartarugas
Em câmera lenta?
Já não andam as tartarugas assim?
E me irrita a sua lerdeza
(Não! Recomporei esse verso anterior)
"E me inveja a sua lerdeza"
Diz também o mestre que minhas rugas
Vão aparecer em breve
Se a um sono leve eu não me entregar
- Mas como andar devagar
Se tudo anda ligeiro?
O tempo inteiro rogo aos céus por mais tempo
E aquele momento ao teu lado quando noto
PASSOU...
Passou o tempo que era pra ser lento
Veloz e atroz como num recado silencioso
Me dizendo o quanto sou pequeno
O quanto sou passageiro em seu tempo
O passado engole o presente
Tão rápido quanto extraiu o sabor
De um chiclete fajuto na boca
Na melhor das hipóteses pirei
Deixei o tempo passar olhando nuvens
Que se desfizeram na primeira oportunidade
Saudade do ultimo desenho
Do tempo em que tempo não era prisão
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