
Sei que não tem contato com meus olhos forjados, o tremor de lábios que antecede a invenção e inversão dos fatos, o suor frio escorrendo da testa... mas covardemente quem teve acesso a alma tem a chave dos meus versos.
Poderia ter nascido túmulo e agora estaria em vantagem, mas nasci poeta diante de um leitor covarde que tem o mais valioso mapa nas mãos. Conhece meus caminhos e desvios! Terei que construir novos obstáculos para você tropeçar em ilusões deixadas pela inconsciência de meus escritos.
Não desenhei caminhos perfeitos, mas foram feitos com zelo pra você fazer boas viagens. Agora reconstruo o inverso em um verso que me faça menos entregue e mais opaco. Vou fingir o sentimento de Pessoa, o meu sentimento de poeta, e você vai penar pra saber o que deveras sinto.
Para leitores covardes eu desejo versos fingidos, maquiados, labirínticos para que você se perca e se ache mil vezes se preciso for. Você me esconde os olhos e eu a poesia essa será nossa estranha covardia.






