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Não me diga que acabou

Não me diga que acabou

Antes de viver um momento
Que pudesse justificar ao vento
Que tentamos antes de desistir

Pra mim tudo isso é pouco.

Solto verso em um poema rouco
E hoje o nosso dilema
É não saber se acabou

Prometi desvendar a eternidade
Depois de fazer crescer a saudade
Que esmaga o mesmo coração
Repleto de nós dois

Mas o tempo
Que nem de tempo pode ainda ser chamado
Transforma em pobre coitado
Qualquer protagonista de nossa história

Venha construir memória
Antes de tropeçar em coisa qualquer
E lágrimas longe de mim derramar

Quero poder ainda enxugar os olhos teus
Que parecem acreditar
Naquilo que a boca nega

E não mais cega
Espero que um dia enxergue o amor

Mas antes concorde comigo
Veja, não acabou.
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Nos dias da primavera


O sentimento tumultuado de antes
É agora brisa mansa
Soprando mar brando
Aquelas mesmas mãos inquietas
Tiram merecido descanso
E meus gestos, jeito e sorriso
São a própria poesia a te admirar
Não é que minhas mãos escrevam menos
Nos dias de primavera
Que nas madrugadas de inverno
É que o restante do corpo
Também tem a sua hora de fazer poesia...

Ps: Sacamos poemas
Na primavera e no inverno
Na solidão e na companhia
Até que do coração poeta
meu corpo se separe!
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Transplantado


Tenho mãos inquietas
E o sentimento do mundo
Transplantado num coração de poeta
Que pulsa fora dos padrões
Do anestesiado peito humano
E o grande engano
Foi pensar que se suporta tudo
Sem ser por vezes esmagado.
A gravidade não tem só
A força prevista nas fórmulas
A gravidade exige muito mais
Que pernas firmes
E joelhos calejados.
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Peça a pela


Peça a peça desfiz o nosso quebra cabeças até o ponto em que a imagem ficou tão incompleta que mal me vinham lembranças da paisagem por inteiro. Retirei foto a foto dos lindos e trabalhados portas retrato que haviam se tornado mais importantes que aquelas imagens “eternizadas” em papel. Deste modo só lancei à gaveta das tralhas passadas as amareladas imagens impressas de uma Sansug 10.1 mp já quebrada e ultrapassada.
Aos poucos fui substituindo velha vida por vida nova e em alguns meses a parede ganhou um largo sorriso enquadrado numa moldura ainda mais bela que a anterior. O sorriso era muito mais valioso que qualquer coisa ao seu redor, valia mil e uma molduras. Nunca pensei na possibilidade de não mais olhar mais as paredes enfeitadas, pra ser sincero, não via a hora de ganhar um novo enfeite os quatro cantos do interior do meu quarto. E que enfeite ganhou! Mais uma obra prima esculpida diretamente pelos deuses que não mediram esforços e não economizaram em caprichos e detalhes. Narciso deve ter sido o principal autor de tal obra. Um presente divino pro mundo um real regalo pro meu coração.
O cenário já era perfeito ou trazia em seu colo as imperfeições que ainda o fazia mais excitante. Só faltava um encontro certeiro com a mais letal das armas do filho de Vênus e pronto: O mundo voltaria a fazer total sentindo e a antiga vida gravada naquele quadro em mosaico não passaria de uma lembrança distorcida na mente de um eterno apaixonável mortal.
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Pisar leve

Venho tentando domar cada sentimento afim de não te afugentar; recito versos sussurrados pros ventos que em leves brisas possam te tocar; escolho frases que maquiem meus olhos até o limite da encenação. Mas vez ou outra peco em não controlar a sensação e o coração grita tão alto das profundezas do sentimento que o corpo não consegue evitar seus movimentos involuntários.
Não sei até quando vou calcular movimentos e medir palavras. Nunca fui bom com as ciências exatas, nunca vi exatidão em matérias abstratas, mas hoje a química estranhamente perfeita que nos envolve exige cautela, raciocínio e parcial controle da situação. Pra chegar onde quero vou pisar leve, sentir o solo até escutar de perto o teu coração.
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