
A cabeça erguida finalizava uma bela postura, seios e bumbum empinados, unhas feitas, negros cabelos longos soltos ao sabor do vento. Leg branca mapeando perfeitas curvas, batom rosa clarinho denunciava lábios delicados enquanto desfilava em direção do meu carro um ex-amor. Sabia do seu poder de hipnotização, sabia o que e como me afogar em taras, desejos, paixão... Golpe covarde, vestida ao meu gosto. Mas também escolhi com cuidado a minha roupa, penteado e perfume. O perfume tinha o aroma do passado pra ela. Era o seu preferido nos tempos de namoro. Tudo em nome da reconquista que a meu ver é mais mística e delicada que qualquer outra batalha...
Aceitou meu convite pra jantar em nome das boas e velhas memórias enquanto no canto dos densos olhos negros, expostos na webcan, escorria uma delicada gota de emoção. Era o passando em sua primeira tentativa de invadir o presente. Depois de tanto tempo ausente mostrava que ainda me conhecia bem e pelo visto andou me estudando. Traz novos movimentos tão eficazes quanto os antigos.
Mal sabia que nem precisava fazer muito esforço. Escolheu a estratégia perfeita pra me ter nas mãos, pra voltar a fazer o coração bater sincronizado no afinado ritmo de antes.
Fui cavalheiro, atencioso, elogiei sua roupa sem abusar das palavras, fixei seus lábios sem perder a concentração no que diziam. Confesso que foi um das mais difíceis tarefas que realizei nesse reencontro.
Levei flores amarelas era a minha jogada de mestre. Elas me davam vantagens. E eu lembrava perfeitamente disso, também não esqueci a caixa de chocolates importada em formato de coração que ela tanto gostava! Em outra ocasião do passado ela me perguntaria: "O que você andou aprontando Vinicius de Oliveira", mas ao entregar as flores e o chocolate desmontei o personagem antes figura firme e forte a minha frente. Arranquei um riso tímido que libertou a emoção contida nos mais lindos olhos marejados que já vi.
Ela se desculpou, escondeu os olhos... seguido de uma desculpa que não guardei na memória. Não vale a pena lembrar das desculpas quando o motivo real foi nos dado de presente pelo resto do corpo.
Não conseguimos esperar o jantar ser servido no nosso restaurante preferido... A fome de amor era maior que qualquer outro desejo. A carne tremia, a pele em calafrios gritava, enquanto o resto do corpo pedia... Não! Implorava amor eterno outra vez.
Mas já eram 5:45 da manhã e o maldito despertador nunca falha, nunca esquece de me acordar pra mais um dia de trabalho...